Folha – Jogar na loteria vicia?
Alexandre - Um monte de atividade vicia. Pesquisas recentes mostram que em amostragem de apostadores de cassino, a média é de 3% e que a amostragem em populações que não se envolviam com jogos é a mesma. Em média, de cada 100 pessoas que, de alguma forma se divertem com jogos, 97 conseguem voltar para casa sem nenhum problema. Em São Paulo você tem um número muito grande de pessoas idosas e que hoje não têm uma atividade, e elas procuram uma diversão. Infelizmente no Brasil nós não temos opções. Nos Estados Unidos um aposentado ganha R$1.200,00 e lá ainda existe quadra de tênis, clubes, onde as pessoas podem praticar natação, jogar pingue-pongue. Então, aqui as pessoas procuram atividades como bingo, mas não porque elas querem. Existe uma necessidade de diversão. Jogo vicia, mas o dano que ele causa para a sociedade é menor do que o benefício, porque apenas 3% das pessoas que se envolvem com jogo ficam dependentes. E se essas pessoas não viciarem em jogo, elas vão viciar em cigarro, em bebida, em comida, em sexo. Porque o problema não é o jogo, e sim o distúrbio que a pessoa tem.
Folha - Você dá dicas para ganhadores de grandes prêmios?
Alexandre - Nós temos consultores, especialistas em investimentos que dão dicas aos apostadores para que, quando ganharem prêmios, consigam manter uma vida equilibrada, sem ostentação. Às vezes, quem ganha são pessoas humildes, que passam a vida inteira com necessidade, às vezes até com falta de alimentação, e quando ganham acham que o dinheiro não vai acabar nunca. Ou então ele se torna o “rei da cocada preta”. Tem pessoas, por exemplo, que compram um avião. E qual é a manutenção de um avião? Eles não conhecem esse problema. Tem pessoas que ganham na loteria, compram um automóvel e dão de prêmio para o cunhado. Todo mundo tem um cunhado desempregado (risos...) e quer ajudar o cunhado, e dá um carro, um Vectra do ano para ele, o IPVA é R$1.500,00. Um ano depois, o coitado do cunhado desempregado com um Vectra não tem dinheiro para pagar o IPVA e vende o carro por qualquer preço. Então, as pessoas acabam fazendo uma infinidade de besteiras. Eu conheço ganhadores que ganharam milhões na loteria e hoje não têm sequer uma casa para morar. As pessoas precisam saber que é necessário ter equilíbrio.Aliás, os japoneses têm esse equilíbrio, são ligados a um tipo de vida simples. A palavra correta é economia. Mesmo que você ganhe 10 milhões de reais, você precisa fazer economia. Os espertalhões aparecem oferecendo coisas. Uma casa que, às vezes, vale 50 mil reais, eles oferecem por 90 mil. E a pessoa tem dinheiro e acaba achando que pode comprar. E realmente pode, mas ela vai gastando e um dia o dinheiro acaba. Eu vou dar um exemplo: uma pessoa ganhou 300 mil reais na Tele-Sena. Ela foi até o Morumbi e comprou um apartamento por 150 mil reais; ela comprou uma BMW, 80 mil reais. Agora você, com um apartamento no Morumbi e com uma BMW, vai querer ir ao Shopping, um apartamento no Morumbi, você vai querer mobiliar. Então, 300 mil reais é uma quantia que não dá para você manter esse padrão de vida. O que eu faria ou o que o nosso site indicaria para a pessoa que ganha, vamos supor, 300 mil reais? Que compre 10 casas de 30 mil reais e alugue. Aí você passa a usar um dinheiro que é mais benéfico para você. É uma renda. E você pode ficar fazendo compra pelo resto da vida porque é aluguel. E as pessoas não fazem isso, elas começam a usar o dinheiro que elas ganharam. E uma hora o dinheiro acaba. Nós damos dicas de como a pessoa pode fazer para prosperar com o dinheiro que ganhou.
Folha - Como o Brasil está colocado no ranking de apostas de loteria?
Alexandre - O Brasil, no ranking mundial em apostas de loteria, é o penúltimo. O Brasil está na frente do Zimbabwe, na África, que inclusive está em guerra civil O país que mais aposta no mundo é a Austrália: 600 dólares, por pessoa, por ano. No Brasil se aposta 50 centavos de dólar, por pessoa, por ano. O mais lamentável disso é que a cada 1 real que você aposta na loteria, 48 centavos são destinados a obras assistenciais do governo. Quem não contribui com assistências sociais, com cestas básicas, está indiretamente auxiliando uma série de entidades que a Caixa Econômica Federal destina a verba, que é uma empresa séria que há muitos anos administra as loterias aqui no Brasil.
“Apenas 3% das pessoas que se envolvem com jogo ficam dependentes”